Por Mestre Marcelo Alban

Ebó com alimentos, folhas, búzios, recipientes de barro e velas, representando fundamentos e práticas espirituais do culto tradicional aos Orixás.

Quando alguém me pergunta: “Mestre, qual ebó eu faço para abrir meus caminhos?”, eu costumo devolver com outra pergunta:

Quem disse que o seu problema é o mesmo problema de outra pessoa?

Esse é um dos maiores erros que eu vejo quando o assunto é espiritualidade.

A pessoa está com problema no amor, procura um ebó para o amor. Está com dificuldade financeira, procura um ebó para prosperidade. A vida começou a ficar complicada, ela entra na internet, encontra uma receita, compra os elementos e acredita que basta colocar tudo junto para aquilo se transformar em um ebó.

Não funciona dessa maneira.

Ebó não é receita de bolo.

E talvez seja justamente por não compreender isso que tanta gente faça coisas durante anos e continue sem entender por que sua vida não se movimenta.

AFINAL, O QUE É EBÓ?

De uma maneira simples, eu posso dizer que o ebó é um conjunto de procedimentos ritualísticos utilizado para trabalhar determinadas necessidades e desequilíbrios apresentados pela pessoa.

Essas necessidades podem aparecer em diferentes áreas da vida: caminhos, prosperidade, relacionamentos, trabalho, equilíbrio pessoal, família e outras situações que precisam ser observadas espiritualmente.

Mas existe uma coisa importante:

o ebó precisa ter uma finalidade.

Não se faz ebó simplesmente porque alguém viu outra pessoa fazendo.

Não se copia o ebó de um sacerdote.

Não se pega o ebó de um amigo.

Não se escolhem elementos porque são bonitos ou porque alguém disse que “atraem prosperidade”.

Antes do elemento vem o conhecimento.

Antes do ritual vem a interpretação.

E antes de sair fazendo qualquer coisa, precisamos compreender o que realmente precisa ser trabalhado naquela pessoa.

O MESMO EBÓ NÃO SERVE PARA TODO MUNDO

Duas pessoas podem chegar até mim dizendo exatamente a mesma coisa:

“Minha vida financeira está parada.”

Isso não significa que as duas receberão o mesmo procedimento.

O problema pode parecer igual por fora e ser completamente diferente quando investigado.

É por isso que elementos, quantidades, rezas, invocações, destino do ritual e diversos outros aspectos podem mudar de uma pessoa para outra.

Na tradição, o oráculo tem justamente essa importância.

Ele não está ali para decorar o ritual.

Ele orienta.

O Obi, Ifá, o Odù e outros fundamentos utilizados dentro de cada tradição ajudam o sacerdote a compreender aquilo que está sendo apresentado e qual caminho deverá ser seguido.

Então, quando alguém simplesmente pergunta:

“Qual ebó serve para isso?”

a pergunta já começa incompleta.

Primeiro precisamos saber por que aquilo está acontecendo.

O PROBLEMA DE TRANSFORMAR EBÓ EM RECEITA DE INTERNET

Hoje existe uma facilidade enorme para encontrar conteúdo espiritual.

Isso tem um lado positivo, porque conhecimento pode chegar a muito mais pessoas.

Mas também criou um problema.

As pessoas começaram a acreditar que conhecer os ingredientes significa conhecer o fundamento.

Não significa.

Você pode assistir a um sacerdote preparando determinado ebó e anotar absolutamente tudo o que ele colocou.

Ainda assim, isso não quer dizer que você saiba fazer aquele ebó.

Porque você viu o elemento.

Mas não necessariamente conhece o fundamento daquele elemento.

Você não sabe por que determinada quantidade foi utilizada.

Não sabe por que aquele elemento entrou antes do outro.

Não sabe qual Odù estava sendo tratado.

Não sabe o que foi consultado.

Não sabe o que foi rezado.

Não sabe para quem aquilo foi direcionado.

E, principalmente, não sabe se aquilo serviria para você.

É por isso que eu repito:

Espiritualidade sem conhecimento vira repetição.

E repetir um ritual não significa compreender um ritual.

“MAS EU VI MEU SACERDOTE FAZENDO. POSSO FAZER IGUAL?”

Não.

Observar também faz parte do aprendizado, mas existe uma diferença enorme entre observar e estar preparado para executar.

O sacerdote não está apenas colocando determinados materiais em um recipiente.

Existe conhecimento, preparação, experiência, fundamento e uma relação construída com aquilo que está sendo manipulado.

É muito fácil enxergar a pipoca, a canjica, as folhas, as frutas, o mel, as velas ou qualquer outro elemento.

O difícil é compreender por que eles estão ali.

É justamente essa diferença que separa um amontoado de elementos de um ritual fundamentado.

TODO EBÓ PRECISA SER CARO?

Outro erro é imaginar que a força de um ebó está na quantidade de coisas utilizadas.

Tem gente que acredita que, quanto maior, mais bonito e mais cheio estiver o ritual, mais poderoso ele será.

Eu penso justamente o contrário:

não coloque aquilo que não foi pedido.

Se determinado procedimento necessita de poucos elementos, serão poucos elementos.

Não precisamos “enfeitar o pavão” para demonstrar conhecimento.

Quantidade não substitui fundamento.

Preço não substitui conhecimento.

Beleza não substitui fundamento.

Um ritual pode impressionar os olhos de quem está assistindo e, espiritualmente, não ter coerência nenhuma com aquilo que a pessoa necessita.

EBÓ E OFERENDA SÃO A MESMA COISA?

Essa também é uma confusão muito comum.

Não devemos colocar tudo dentro da mesma definição.

Dentro das tradições, a oferenda pode estar relacionada ao ato de ofertar, homenagear, agradecer, cultuar ou fortalecer determinada relação com a divindade.

Alimentos, bebidas, flores e outros elementos podem fazer parte dessas práticas, de acordo com o fundamento daquela divindade e daquela tradição.

O ebó possui outra dinâmica.

Ele está diretamente relacionado a uma necessidade que precisa ser trabalhada, movimentada, corrigida ou reorganizada através daquele procedimento ritualístico.

Por isso, nem toda oferenda deve ser tratada simplesmente como ebó.

E nem todo ebó deve ser reduzido à ideia de “dar comida para Orixá”.

Existe fundamento por trás de cada prática.

NÃO É O LUGAR QUE FAZ O RITUAL FUNCIONAR

Outro ponto que merece atenção é a ideia de que basta chegar a uma cachoeira, mata, estrada, árvore ou encruzilhada e colocar alguma coisa ali.

O espaço também possui fundamento.

Você precisa saber por que está indo até aquele lugar.

Precisa saber como chegar.

Precisa saber o que está fazendo.

E precisa saber como sair.

Quando existe conhecimento, o espaço faz parte do ritual.

Quando não existe conhecimento, a pessoa apenas deixou alguma coisa naquele lugar.

Essa diferença precisa ficar muito clara.

O ORIXÁ NÃO É UMA PRATELEIRA DE SUPERMERCADO

Também precisamos abandonar aquela visão simplista:

“Amor é com determinado Orixá.”

“Dinheiro é com outro.”

“Caminho é somente com Exu.”

O culto é muito mais complexo do que essas divisões prontas.

As divindades possuem particularidades, fundamentos, histórias, proibições e diferentes manifestações.

Até mesmo quando falamos de Exu, não podemos cair naquela frase repetida de que:

“Exu come tudo.”

Não.

Exu também possui fundamento.

Possui suas particularidades.

Possui suas proibições.

E aquilo que será oferecido ou realizado precisa estar de acordo com o aspecto que está sendo cultuado e com aquilo que foi determinado.

Novamente chegamos ao mesmo lugar:

é preciso conhecer antes de fazer.

ENTÃO, QUANDO UMA PESSOA PRECISA DE EBÓ?

Eu não gosto dessa espiritualidade do medo em que qualquer dificuldade já vira motivo para dizer que alguém precisa fazer alguma coisa.

A vida também possui problemas naturais.

Nem toda dificuldade financeira é espiritual.

Nem toda discussão de casal é espiritual.

Nem toda porta fechada significa feitiço.

Nem todo período difícil significa que existe alguma coisa perseguindo você.

É justamente para separar uma coisa da outra que existe a consulta.

Primeiro se investiga.

Depois se interpreta.

E somente então se determina aquilo que realmente precisa ser feito.

Porque o verdadeiro conhecimento espiritual não deveria criar dependência.

Deveria trazer compreensão.

O EBÓ COMEÇA ANTES DOS ELEMENTOS

Talvez essa seja uma das coisas mais importantes que eu quero deixar para você.

Quando você olha um ebó pronto, está enxergando somente a parte visível.

Mas o ritual começou muito antes.

Começou na consulta.

Começou na interpretação.

Começou na identificação do problema.

Começou no conhecimento do Odù.

Começou na escolha correta dos elementos.

Começou nas rezas e invocações.

Começou na preparação de quem vai executar aquele procedimento.

Por isso eu digo:

não copie aquilo que você não compreende.

Espiritualidade não é juntar elementos.

Espiritualidade é saber por que, para quem, quando, como e com qual finalidade cada coisa está sendo feita.

E é exatamente aí que mora a diferença entre simplesmente repetir um ritual e realmente conhecer o fundamento.

Antes de perguntar “qual ebó eu faço?”, talvez a pergunta correta seja:

“O que realmente precisa ser corrigido na minha vida?”

Quando essa resposta aparece, aí sim começa o caminho para compreender aquilo que deve — ou não — ser feito.

Antes de fazer um ebó, consulte o oráculo

Depois de tudo o que expliquei até aqui, existe uma orientação que considero fundamental:

não escolha um ebó apenas pelo problema que você acredita ter.

Você pode chegar dizendo que seu problema é amoroso, financeiro, profissional ou familiar. Mas aquilo que você está enxergando pode ser apenas uma parte da situação.

É justamente por isso que existe a consulta ao oráculo.

Através do Jogo de Búzios ou de outro oráculo adequado ao caso, é possível avaliar o que está acontecendo naquele momento e compreender qual caminho deve ser seguido e o que realmente precisa ser corrigido.

Como eu sempre explico: ebó não é receita de bolo.

O que será utilizado, a maneira como será realizado e o direcionamento do trabalho dependem da necessidade do consulente, de seu Ori, de seu Odù e dos fundamentos revelados durante a consulta.

Até um ebó chamado de “emergência” deve ser entendido como algo pontual. Ele não substitui uma análise completa do caso.

Por isso, antes de sair procurando na internet “ebó para amor”, “ebó para dinheiro”, “ebó para abrir caminhos” ou “ebó para prosperidade”, procure primeiro compreender o que o seu caso realmente pede.

O primeiro passo não é escolher o ebó.
O primeiro passo é consultar.

Quer saber qual caminho é indicado para o seu caso?

Agende sua consulta com Mestre Marcelo Alban. Através do oráculo, seu caso será analisado individualmente para compreender o que precisa ser trabalhado e qual orientação espiritual é indicada para aquele momento.

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Não escolha o ritual primeiro. Descubra primeiro o que o seu caminho está mostrando.

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Mestre Marcelo Alban

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