No programa Conhecimento do Ser, o Mestre Marcelo Alban trouxe uma aula profunda sobre uma das divindades mais dinâmicas do panteão africano. O foco foi Èṣù Onà, o regente das passagens, mas o diálogo foi além, tocando na necessidade de profissionalismo, ética e estudo dentro das casas de Àṣẹ.
Para quem deseja entender a fundo o papel de Èṣù no culto tradicional, este resumo organiza os pontos chaves da live “Aprenda as funções que você não conhece ainda desse Èṣù”.
O Fim do “Segredo por Ignorância”
Mestre Alban inicia com uma reflexão necessária sobre a trajetória de 35 anos no Orixá. Antigamente, o “segredo” era muitas vezes uma máscara para o despreparo de sacerdotes que não sabiam ensinar. No Raízes do Culto, a filosofia é clara: Èṣù é organização e administração. Sem conhecimento, não há como gerenciar o Àṣẹ. Esconder o saber é impedir que a espiritualidade floresça.
A Essência de Èṣù Onà
Diferente das visões superficiais que o limitam a um “abridor de portas”, Onà representa a própria estrutura do caminho e da jornada humana.
- Òrìṣà Onà vs. Èṣù Onà: Existe uma distinção técnica fundamental. Òrìṣà Onà nasce das águas (Òrìṣà Omi), sendo o ventre que gera as possibilidades. Dele, derivam as quatro manifestações de Èṣù Onà, que operam na terra e no cotidiano.
- As Quatro Esferas de Onà: Uma casa de Àṣẹ bem estruturada utiliza quatro funções de Onà para garantir a fluidez:
- O Onà do Telhado: Proteção superior e conexão.
- O Onà do Fundo: Guardião da estrutura e dos segredos internos.
- O Onà Fora do Portão: O que lida com o mundo externo, decidindo o que entra e o que sai.
- O Onà de Dentro: O que promove a harmonia e a circulação do axé entre os membros.
Os Sete Caminhos?
O título de “Senhor dos Sete Caminhos” é popular, mas o Mestre esclarece que as possibilidades de Èṣù são infinitas. Ele atua em todas as camadas da existência:
- Sexual e Vital: A energia da procriação e continuidade.
- Material e Social: A riqueza, o trabalho e o convívio.
- Psicológico e Espiritual: O equilíbrio mental e a proteção da alma (Bara).
O Ebó e a Mudança de Caráter
Um dos momentos mais impactantes da live foi o alerta sobre a postura do devoto. Èṣù não aceita suborno; ele observa a conduta.
“O sacrifício começa quando você trabalha o mês inteiro e separa uma parte para agradecer. Não adianta agradar Èṣù e ficar assistindo Netflix esperando o dinheiro cair do céu sem ter um plano ou organização.”
Èṣù é o senhor da riqueza (Èṣù Ajé), mas ele exige dignidade. Para o Àṣẹ fluir, é preciso atualizar a mentalidade (o “Windows 95 desconfigurado”, como brinca o Mestre). Não há milagre sem mudança de atitude e evolução da mente.
Fundamentos Práticos Revelados
- A Encruzilhada (Oritaméta): A encruzilhada de “três pernas” é a conexão com Olodumare e Ifá. É o portal onde o sacerdote manipula os oráculos para entender passado, presente e futuro.
- A Água na Rua: Se Èṣù é fogo, por que jogamos água? Porque Onà veio das águas (Omi). Refrescar o caminho é um rito de equilíbrio para que o progresso seja pacífico.
- O Bara: O Bara é o “Rei do Corpo”, nossa alma e fôlego. Èṣù gerencia o Bara, mas não está “preso” dentro dele. Ele é onipresente, agindo como a moldura que valoriza o quadro da nossa existência.
Conclusão
Èṣù Onà é quem sustenta os pés para que o Orí (cabeça) possa guiar com clareza. Sem a manutenção desse fundamento, a vida estagna ou cai em armadilhas. Como ensina o Mestre Alban, a desorganização e o caos são os estados que antecedem a ordem de Èṣù. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para uma espiritualidade verdadeira e próspera.

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