Por Mestre Marcelo Alban — Sacerdote e Babalawô

Imagine dedicar anos da sua vida ao culto de um orixá. Você passou por uma iniciação, cumpriu suas obrigações, respeitou os preceitos, investiu dinheiro, tempo e dedicação. Confiou no sacerdote responsável por sua caminhada espiritual e construiu uma história dentro da religião.

Então, um dia, você procura outro sacerdote, passa por uma consulta e escuta uma frase capaz de abalar tudo aquilo em que acreditava:

“Fizeram seu santo errado. Esse não é o seu orixá.”

E agora?

Quem está certo? Quem errou? Você precisa passar por outra iniciação? Todos aqueles anos de obrigações foram perdidos? E quem vai pagar pelos prejuízos espirituais, emocionais e financeiros?

Antes de responder a essas perguntas, quero fazer outra, ainda mais importante:

Será que realmente existe um orixá errado na vida de alguém ou existem sacerdotes que não compreenderam aquilo que estavam fazendo?

Ao longo de minha trajetória sacerdotal, iniciada ainda no Candomblé na década de 1990, acompanhei diferentes formas de iniciação, convivi com sacerdotes, participei de rituais e presenciei situações que me fizeram questionar muitas práticas.

Posteriormente, aprofundei minha caminhada no culto tradicional yorùbá, conhecido como Èsìn Òrìṣà Ìbílẹ̀, e em Ifá.

Essa experiência me permitiu observar diferenças, semelhanças e, principalmente, problemas que surgem quando o conhecimento é substituído pela vaidade, pela repetição mecânica ou pelos interesses pessoais.

É sobre isso que precisamos falar.

Existe santo errado ou orixá errado?

Vou começar por aquilo que considero fundamental: não existe uma força de Olódùmarè errada na vida de ninguém.

Olódùmarè, o Ser Supremo na tradição yorùbá, não erra.

O orixá, Òrìṣà, também não deve ser tratado como uma divindade que simplesmente entrou de maneira equivocada na vida de alguém.

O problema, muitas vezes, está na forma como a iniciação foi conduzida, na maneira como aquela energia foi despertada e no entendimento que o sacerdote possui sobre os rituais realizados.

Quando uma pessoa passa por uma iniciação, existe uma movimentação espiritual que envolve sua cabeça, seu Ori, seu Elédà e sua relação com o destino.

Se o sacerdote não compreende os fundamentos daquela ritualística, pode executar procedimentos sem alcançar os resultados esperados dentro da tradição que pratica.

E quando os resultados não aparecem, quando a pessoa enfrenta dificuldades ou começa a questionar sua iniciação, surge a explicação mais fácil:

“Seu santo foi feito errado.”

Mas será que é assim tão simples?

É necessário compreender o caminho espiritual daquela pessoa, os procedimentos realizados, as condições da iniciação e a responsabilidade de quem a conduziu.

Não se pode transformar a vida espiritual de alguém em uma sequência de tentativas e erros.

Quando o sacerdote escolhe o orixá pela necessidade da casa

Essa é uma situação que presenciei durante minha caminhada no Candomblé.

Antigamente, em determinadas casas, acontecia algo que considero muito preocupante: a identificação do orixá poderia ser influenciada pelas necessidades religiosas do próprio terreiro.

Imagine uma casa que precisava realizar um Olubajé, cerimônia associada a Obaluaiê, mas não possuía nenhum iniciado daquele orixá.

De repente, aparecia alguém que poderia ser iniciado para Obaluaiê.

Em outra casa, faltava uma pessoa iniciada para Nanã. Então, alguém que chegasse poderia acabar sendo direcionado para essa iniciação.

Estou dizendo que todas as casas faziam isso? Evidentemente que não.

Mas estou relatando práticas que conheci e situações que fizeram parte da minha experiência.

Cheguei a acompanhar sacerdotes que deixavam para identificar o orixá somente quando o iniciado já estava recolhido, próximo de etapas fundamentais de sua iniciação.

Eu perguntava:

“Mas o senhor já consultou o oráculo para saber qual é o orixá dessa pessoa?”

E a resposta era que isso seria descoberto posteriormente, quando o iniciado estivesse no apoti, o banquinho ritual.

Agora pense comigo.

A pessoa já está recolhida, os materiais estão preparados, os elementos rituais foram adquiridos e toda uma estrutura foi organizada.

De repente, identifica-se outro orixá.

O que se faz com os materiais anteriores? Devolve? Vende? Substitui tudo?

E, principalmente, por que não houve uma investigação espiritual cuidadosa antes de começar?

Uma iniciação não deveria acontecer dessa maneira.

É necessário preparação, conhecimento e responsabilidade.

Orixá não se identifica pela aparência física

Outro problema que encontrei foi a tentativa de identificar o orixá observando simplesmente as características físicas de uma pessoa.

Se alguém era mais corpulento, logo aparecia alguém dizendo que aquela pessoa era de Xangô, Ṣàngó.

Se apresentava determinadas características ou comportamentos, alguém afirmava que era de Oxóssi, Ọ̀ṣọ́ọ̀sì, ou de Ogum, Ògún.

Mas desde quando aparência física substitui o oráculo?

Para que existe o jogo de búzios, conhecido no Candomblé como Ẹ̀rìndínlógún?

Para que consultamos Ifá?

Para que utilizamos o Ọ̀pẹ̀lẹ̀, conhecido no Brasil como Opelé, ou outros instrumentos tradicionais de consulta?

Se a aparência resolvesse tudo, não haveria necessidade de consultar o destino.

O orixá de uma pessoa não deve ser escolhido porque alguém acha que ela tem o rosto, o corpo ou o comportamento de determinada divindade.

É justamente para evitar interpretações superficiais que existem os sistemas oraculares dentro das tradições religiosas.

Cada sistema possui seus fundamentos e sua forma de utilização.

O que não podemos aceitar é que a opinião pessoal de um sacerdote substitua todo o processo de investigação espiritual.

Cuidado com sacerdotes que mostram muito e ensinam pouco

Hoje, praticamente qualquer pessoa possui um celular com uma boa câmera.

É muito fácil filmar uma obrigação, mostrar um assentamento, registrar um barracão ou publicar imagens de um ritual.

Isso, por si só, não comprova conhecimento sacerdotal.

Muitas vezes, a pessoa que aparece nas imagens não é aquela que está conduzindo verdadeiramente o ritual.

Quem reza pode ser outro sacerdote. Quem conhece os fundamentos pode ser um ogan, uma equede ou alguém mais experiente que esteja auxiliando.

Por isso, quando você procurar uma casa religiosa, não observe apenas aquilo que aparece nas redes sociais.

Procure compreender quem é o sacerdote, como ele aprendeu, quem são seus mais velhos, qual é sua responsabilidade dentro do culto e se ele realmente conhece os procedimentos que afirma realizar.

Um bom vídeo não substitui conhecimento.

Uma roupa bonita não substitui fundamento.

Um título religioso não substitui vivência.

A espiritualidade exige responsabilidade, não apenas aparência.

O problema da transmissão do conhecimento entre gerações

Dentro das religiões de matriz africana, a relação entre mais velhos e mais novos possui enorme importância.

O conhecimento tradicional foi transmitido, durante gerações, pela oralidade, pela observação e pela participação nos rituais.

Quando fui iniciado no Candomblé, o aprendizado não se resumia a cumprir uma obrigação e esperar a próxima.

Era necessário participar da vida da casa.

O iniciado ajudava nas atividades, carregava ebós, limpava os espaços, acompanhava os preparativos, aprendia cantigas, observava as folhas utilizadas e procurava compreender as rezas.

Recordo-me de situações em que os sacerdotes pediam para um filho cantar sua sassanha, expressão conhecida no Candomblé e relacionada ao contexto ritual das folhas.

Muitos ficavam nervosos porque não sabiam cantar. Outros procuravam ajuda dos irmãos de santo.

Essas experiências, mesmo com suas dificuldades, faziam parte do aprendizado.

Hoje encontramos pessoas que possuem anos de iniciação, mas que não conseguem explicar procedimentos fundamentais do culto que praticam.

E a pergunta que faço é:

De quem é a responsabilidade por essa deficiência?

Do mais novo que não aprendeu? Do mais velho que não ensinou? Ou dos dois?

Não podemos responsabilizar apenas uma geração.

Existem sacerdotes que não transmitem o conhecimento adequadamente. Mas também existem iniciados que não querem aprender.

Querem receber uma apostila pelo WhatsApp, assistir a alguns vídeos e acreditar que estão preparados para abrir uma casa.

Não querem sentar, observar, repetir, errar, corrigir e aprender.

O conhecimento religioso não pode ser adquirido somente pela leitura de um material.

Uma apostila pode ajudar. Um livro pode orientar. Um curso pode ampliar a compreensão.

Mas nada disso substitui a vivência ritual necessária para determinadas funções sacerdotais.

O perigo de comprar títulos religiosos sem adquirir conhecimento

Essa preocupação não se limita ao Candomblé brasileiro.

Também vejo problemas semelhantes dentro de ambientes ligados ao culto tradicional africano.

Pessoas viajam para a África, permanecem pouco tempo em determinado espaço religioso e retornam ao Brasil apresentando títulos, honrarias e qualificações.

A questão não é a viagem, nem o tempo isoladamente. A questão é o que realmente foi aprendido e qual formação acompanha aquele reconhecimento.

A iniciação possui importância, mas não significa automaticamente que a pessoa domine todos os conhecimentos de determinado culto.

É comum encontrar pessoas utilizando expressões em yorùbá sem compreender sua pronúncia, tonalidade ou significado.

Algumas repetem palavras exatamente como estão escritas, sem conhecimento suficiente da língua ou contato com sua utilização tradicional.

Outras misturam cantigas, rezas e procedimentos provenientes de tradições diferentes sem compreender os contextos.

É importante lembrar que muitas cantigas preservadas no Candomblé possuem origem yorùbá, embora possam apresentar modificações decorrentes de sua transmissão histórica.

Isso não significa que toda adaptação seja errada.

Significa que precisamos conhecer a origem daquilo que praticamos.

Não basta usar roupas africanas, carregar títulos ou pronunciar palavras em yorùbá. É necessário conhecer os fundamentos do culto.

O conhecimento não deve ser uma fantasia religiosa.

Candomblé e culto tradicional yorùbá: diferenças que precisam ser compreendidas

Durante minha trajetória, tive a oportunidade de conhecer e praticar fundamentos do Candomblé e posteriormente aprofundar meus estudos nas tradições africanas.

Por isso, considero importante esclarecer que o Candomblé brasileiro possui particularidades próprias.

Ele preserva diversos elementos religiosos de origem africana, mas também desenvolveu estruturas, práticas e organizações relacionadas à realidade brasileira.

O universo cultural de Ketu, das tradições yorùbá e das comunidades de língua fon e de outras populações da África Ocidental apresenta relações históricas complexas.

Não podemos tratar toda a África como se fosse uma única cultura religiosa.

Também não podemos afirmar que todas as práticas brasileiras são idênticas às realizadas nas diferentes comunidades africanas.

Existem semelhanças em cantigas, rituais, objetos sagrados, iniciações e formas de culto.

Existem também diferenças importantes.

A preservação das cantigas e o problema da fonética

Muitas rezas e cantigas transmitidas dentro do Candomblé preservam palavras e estruturas de línguas africanas.

Entretanto, ao longo das gerações, a pronúncia de determinadas expressões pode ter sido modificada.

Em alguns casos, isso dificulta a identificação da origem ou do significado linguístico de uma cantiga.

No yorùbá, a tonalidade possui importância fundamental.

Uma alteração na entonação pode modificar o sentido de uma palavra.

Por isso, considero importante estudar a língua e procurar compreender o contexto das rezas, em vez de simplesmente reproduzir sons sem saber o que representam.

Isso não apaga o valor cultural da tradição oral brasileira.

Pelo contrário: estudar essas relações pode contribuir para reconhecer aquilo que foi preservado e compreender as transformações ocorridas.

Os elementos rituais no Candomblé e no culto tradicional yorùbá

Durante minha caminhada sacerdotal, tive a oportunidade de acompanhar rituais realizados por sacerdotes africanos e observar diferenças importantes em relação às práticas encontradas no Brasil.

Uma dessas diferenças está na utilização de determinados elementos, como o gin, o inhame, chamado iṣu em yorùbá, o ataré, conhecido como pimenta-da-costa, e outros materiais empregados nos fundamentos de algumas tradições.

Em determinadas casas de Candomblé, alguns desses elementos são considerados inadequados para certos procedimentos.

Entretanto, nas experiências que tive dentro do culto tradicional yorùbá, presenciei a utilização desses mesmos elementos em contextos ritualísticos específicos.

Participei de procedimentos ligados a Exu, Èṣù, e Obatalá, Ọbàtálá, nos quais esses materiais possuíam funções próprias dentro dos fundamentos transmitidos.

Mas quero deixar algo muito claro: não basta saber que determinado elemento é utilizado em um ritual.

É necessário compreender por que ele é empregado, qual é sua finalidade e quais fundamentos sustentam aquela prática.

Não é porque você viu um sacerdote utilizar gin, inhame ou ataré que poderá reproduzir o mesmo procedimento sem conhecer sua ritualística.

Conhecer o elemento não significa conhecer o fundamento.

E é justamente essa falta de conhecimento que, muitas vezes, leva as pessoas a repetirem práticas sem compreender aquilo que estão fazendo.

Ori ou orixá: quem governa a sua cabeça?

Essa é uma das questões que considero mais importantes dentro do culto.

Durante muitos anos, observo pessoas dedicando enorme atenção aos seus orixás, realizando obrigações, alimentando assentamentos e mantendo compromissos religiosos.

Mas, frequentemente, essas mesmas pessoas dedicam pouca atenção ao próprio Ori, Òrí.

E aí pergunto:

Você cuida mais do seu orixá do que da sua própria cabeça?

Dentro da compreensão espiritual que sigo, Ori possui papel fundamental na individualidade, na consciência e no destino.

O orixá pode auxiliar, fortalecer, orientar e contribuir para o alinhamento de Ori.

Mas isso não significa que ele substitua a responsabilidade da própria pessoa sobre sua existência.

Ori não deve ser reduzido a um detalhe dentro dos rituais.

A cabeça representa muito mais do que uma estrutura física.

Ela possui relação com a identidade, as escolhas, as experiências e a trajetória espiritual.

Quando falamos em cuidar de Ori, estamos tratando também da necessidade de compreender quem somos e como conduzimos nosso destino.

Não adianta realizar inúmeras obrigações enquanto continuamos repetindo comportamentos que prejudicam nossa vida.

A espiritualidade não deve ser utilizada para esconder os problemas que precisamos enfrentar.

As três forças pessoais: Ori, destino e Exu

Na interpretação religiosa que transmito, existem três forças fundamentais para compreender a caminhada de uma pessoa: Ori, destino e Exu.

Ori: a primeira força

Ori representa a cabeça e possui profundo significado espiritual.

Quando uma criança nasce, começa sua experiência no mundo material.

Dentro da leitura simbólica que faço dos fundamentos tradicionais, esse nascimento representa a manifestação de sua individualidade e de sua primeira força pessoal.

É a partir dessa cabeça que a pessoa desenvolverá percepções, fará escolhas, construirá experiências e procurará compreender sua existência.

O destino: o caminho que precisa ser vivido

O destino, frequentemente relacionado ao conceito yorùbá de Àyànmọ́, é outro fundamento importante.

Cada pessoa possui sua própria caminhada e suas experiências.

A iniciação não pode ser vista como uma maneira de impor arbitrariamente um destino ao indivíduo.

Ela deve estar relacionada ao conhecimento de sua trajetória espiritual e às responsabilidades assumidas.

Por isso, insisto tanto na importância da consulta oracular e da preparação.

Exu: movimento, transformação e reorganização

Exu, Èṣù, representa, dentro dos fundamentos que sigo, uma força fundamental de movimento.

A vida não permanece parada.

As escolhas produzem consequências, os caminhos apresentam obstáculos e precisamos aprender a lidar com aquilo que encontramos.

É nesse sentido que compreendo a relação de Exu com o caos.

Não estou falando simplesmente de destruição.

Estou falando da quebra de estruturas que impedem a pessoa de reconhecer sua realidade e movimentar sua vida.

Muitas vezes, queremos mudanças sem abandonar os comportamentos que nos mantêm presos ao mesmo lugar.

E isso não funciona.

Por que a iniciação em Exu pode trazer mudanças difíceis?

Muitas pessoas me procuram dizendo:

“Mestre, depois que me iniciei em Exu, minha vida virou um caos.”

Mas será que tudo aquilo que está acontecendo representa necessariamente um castigo ou um erro ritual?

Na minha compreensão espiritual, Exu pode estar associado a processos de reorganização que exigem coragem.

Imagine uma pessoa que permanece durante anos sustentando relações desgastantes, hábitos prejudiciais e situações que já não contribuem para sua evolução.

Ela deseja prosperar, encontrar novos caminhos e alcançar equilíbrio.

Mas não quer abandonar absolutamente nada.

Como mudar sem movimentar?

O caminho possui pedras, obstáculos e encruzilhadas.

Não é suficiente desejar chegar ao outro lado.

É necessário caminhar.

Por isso, costumo dizer que Exu nos confronta com aquilo que precisamos compreender.

Isso não significa que todo sofrimento seja provocado por Exu, nem que alguém deva suportar situações perigosas acreditando estar atravessando uma prova espiritual.

Significa reconhecer que a transformação também envolve decisões e responsabilidades humanas.

O que aprendi com minha própria renovação de Exu

Quero compartilhar uma experiência pessoal.

Depois de enfrentar uma situação muito difícil de saúde, na qual estive próximo da morte, fiz uma promessa relacionada à renovação dos meus compromissos com Exu.

Após sair da UTI, realizei um gesto ritual envolvendo meu cabelo e prometi renovar esse compromisso posteriormente.

Quando chegou o momento, cumpri aquilo que havia estabelecido.

E essa experiência me trouxe reflexões muito profundas.

Percebi que precisava rever minha maneira de confiar nas pessoas.

Nem todos aqueles que estão ao nosso lado desejam necessariamente nosso crescimento.

Às vezes, enquanto você está oferecendo ajuda, recursos ou oportunidades, tudo parece estar bem.

Mas basta estabelecer um limite e dizer não para descobrir que determinadas relações não eram como imaginava.

Precisei aprender a analisar melhor minhas decisões, minhas responsabilidades e os esforços que dedicava a determinadas pessoas.

Passei a me perguntar:

Vale a pena continuar investindo nisso?

Vale a pena continuar sustentando essa situação?

Essa relação realmente contribui para minha vida?

Dentro da minha vivência religiosa, interpreto esse processo como parte dos ensinamentos de Exu.

Não foi simplesmente uma questão de realizar um ritual e esperar que tudo acontecesse.

Foi necessário reconhecer comportamentos, estabelecer limites e tomar decisões.

O que aconteceu quando fui iniciado em Ifá

Também percebi mudanças importantes quando passei por minha iniciação em Ifá.

Naquele período, existiam situações que eu considerava desorganizadas dentro da minha vida religiosa.

Pessoas se aproximavam, surgiam conflitos, críticas e cobranças.

Eu mantinha responsabilidades com o culto, mas também trabalhava e desenvolvia outras atividades.

Com o tempo, após minha iniciação, comecei a perceber uma reorganização dessas relações.

Algumas pessoas se afastaram naturalmente.

Outras situações passaram a fazer mais sentido.

Eu interpreto essa experiência como uma reorganização espiritual.

Entretanto, compreender essa transformação exigiu também uma mudança de atitude.

Não podemos querer que a espiritualidade faça por nós aquilo que não temos coragem de assumir.

Iniciação em orixá não é apenas raspar a cabeça

Existe uma ideia muito difundida de que iniciar uma pessoa em orixá significa, essencialmente, raspar sua cabeça e cumprir determinado período de recolhimento.

Mas a iniciação vai muito além disso.

Ela representa um compromisso.

Um compromisso com o culto, com os fundamentos, com as responsabilidades espirituais e com a vida que aquela pessoa escolheu seguir.

Costumo dizer que iniciação é mudança de vida, mudança de status e mudança de consciência.

Será que todas as pessoas estão preparadas para isso?

É preciso compreender que os preceitos não se resumem a 7, 14 ou 21 dias.

Determinados compromissos acompanham o iniciado ao longo de sua caminhada religiosa.

Por isso, ninguém deveria ser obrigado a se iniciar por medo.

Ninguém deveria passar por um ritual apenas porque ouviu que sua vida será destruída caso não aceite imediatamente.

A iniciação exige vontade, responsabilidade e compreensão.

O sacerdote deve orientar, mas também respeitar a condição e a decisão de quem o procura.

Bolei no santo. Sou obrigado a raspar a cabeça?

Essa é uma situação bastante conhecida em muitos ambientes do Candomblé.

A pessoa visita um terreiro, participa de uma cerimônia e passa pela experiência tradicionalmente chamada de bolar no santo.

Logo depois, alguém afirma:

“Você precisa fazer santo agora.”

Em casos ainda mais preocupantes, a pessoa escuta que, se não for recolhida imediatamente, sua vida poderá desandar.

Eu questiono esse tipo de postura.

Dentro da minha interpretação, determinadas manifestações podem estar relacionadas a um excesso de movimentação energética ou a condições espirituais que precisam ser avaliadas.

Existem diferentes procedimentos tradicionais que podem ser considerados pelos responsáveis religiosos, conforme os fundamentos da casa e as circunstâncias específicas.

Porém, isso não significa que todos os casos tenham obrigatoriamente a mesma solução.

É importante distinguir rituais que possuem finalidades diferentes, como ebó, ebori e outros cuidados direcionados a Ori.

O ebó, Ẹbọ, compreende diferentes modalidades de oferendas e procedimentos ritualísticos.

O bori, tradicionalmente associado ao cuidado da cabeça no Candomblé, possui fundamentos próprios. Já outros rituais de cuidado com Ori, inclusive no culto tradicional yorùbá, não devem ser tratados automaticamente como equivalentes.

Não podemos tratar todos eles como se fossem a mesma coisa.

A avaliação deve ser responsável e não deve eliminar a liberdade da pessoa de decidir se deseja ou não assumir uma iniciação.

Se alguém utiliza o medo para obrigar outra pessoa a realizar imediatamente um ritual caro, é necessário questionar essa conduta.

O medo não deveria ser utilizado como instrumento de pressão financeira ou religiosa.

O sacerdote precisa orientar, esclarecer e respeitar.

É possível cultuar um orixá sem ser iniciado?

Sim.

Dentro das tradições religiosas existem diferentes maneiras de estabelecer relações de culto e devoção.

Nem toda pessoa que deseja cultuar um orixá precisa, necessariamente, passar imediatamente por uma iniciação completa.

Há práticas devocionais e formas específicas de culto que podem ser orientadas de acordo com a tradição seguida.

No culto tradicional yorùbá, por exemplo, encontramos espaços sagrados, como o Ojúbọ̀, associados à veneração de determinadas divindades.

É importante compreender que um espaço ritual não deve ser visto simplesmente como um objeto decorativo.

Ele pode reunir fundamentos, rezas, elementos consagrados e procedimentos específicos.

Isso exige conhecimento e respeito.

Também é preciso considerar as condições financeiras da pessoa.

Imagine alguém que deseja se iniciar, mas ainda não possui recursos para assumir todos os custos envolvidos.

Em vez de pressioná-la ou criar uma dívida, o sacerdote pode orientar sobre formas de culto compatíveis com aquela etapa de sua caminhada.

Uma pessoa não deve acreditar que precisa comprometer todo seu sustento para demonstrar fé.

Por outro lado, também não deve transferir ao orixá a obrigação de resolver todas as suas responsabilidades financeiras.

A iniciação precisa ser desejada e planejada por quem pretende assumir o compromisso.

Uma pessoa pode se iniciar em vários orixás?

Essa pergunta costuma gerar confusão porque nem todas as tradições possuem os mesmos procedimentos.

Dentro de experiências que conheci no culto tradicional yorùbá, existem iniciações e aprofundamentos em diferentes cultos de orixás.

Mas isso não significa que todas as pessoas tenham a obrigação ou a necessidade de se iniciar em muitos orixás.

É necessário distinguir aquilo que está relacionado ao destino individual, às responsabilidades religiosas e ao desejo de aprofundar conhecimentos.

No meu próprio caminho, a consulta a Ifá apontou determinadas relações espirituais que considero fundamentais, envolvendo, entre outras forças, Exu, Obatalá, Egungun e divindades ligadas à terra.

Egungun, ou Ẹ̀gúngún, está relacionado ao universo do culto ancestral em tradições yorùbá.

Posteriormente, tive interesse em conhecer outros cultos.

Busquei aprofundamento em fundamentos relacionados a Ogum, Oxóssi, Oiá e outras divindades, procurando compreender suas particularidades.

Isso ocorreu também por desejo de conhecimento.

Entretanto, estudar e passar por determinadas iniciações não significa ter a mesma afinidade ou responsabilidade sacerdotal com todos os cultos.

Cada orixá possui características, fundamentos e procedimentos específicos.

Existem conhecimentos que só podem ser compreendidos adequadamente por meio da participação religiosa orientada.

Não basta reproduzir aquilo que alguém descreveu na internet.

Por que os rituais não podem ser reduzidos a receitas?

Alguns cultos possuem procedimentos que acontecem em diferentes etapas e momentos.

O culto de Oiá, Ọya, por exemplo, envolve particularidades que não podem ser explicadas apenas pela associação popular com o búfalo ou por um único objeto ritual.

O mesmo acontece com Xangô, Exu, Oxaguiã e tantas outras divindades.

Oxaguiã é uma denominação consagrada no Candomblé brasileiro, relacionada a manifestações de Oxalá, enquanto Obatalá é um nome utilizado em diferentes contextos das tradições yorùbá. Essas denominações precisam ser compreendidas dentro de suas respectivas estruturas religiosas.

Durante meu aprendizado, compreendi que certos procedimentos possuem significados que só se tornam claros quando conhecemos sua função dentro de um conjunto maior de fundamentos.

É por isso que critico a reprodução de receitas espirituais sem contexto.

A pessoa escuta que determinado elemento foi utilizado em um ritual e imediatamente tenta reproduzi-lo.

Mas não sabe por que foi utilizado.

Não sabe em qual circunstância.

Não sabe qual fundamento orientou aquela prática.

Conhecer o nome de um elemento ritual não significa conhecer o ritual.

Toda iniciação exige raspar a cabeça?

Não existe uma resposta única que sirva indistintamente para todas as tradições e modalidades de iniciação.

A raspagem possui importância em diversos contextos, particularmente em determinadas práticas do Candomblé.

Entretanto, existem diferenças entre os sistemas religiosos e os graus de compromisso assumidos.

É necessário compreender o objetivo do procedimento, o tipo de iniciação e as responsabilidades envolvidas.

O cabelo também pode possuir funções simbólicas e rituais específicas.

Portanto, reduzir toda iniciação à raspagem é desconsiderar a diversidade de práticas existentes.

O que importa é conhecer o fundamento seguido e saber exatamente qual compromisso religioso está sendo estabelecido.

Fui iniciado para Oyá, mas Ifá apontou Oxum. E agora?

Essa é uma situação que pode provocar enorme insegurança.

Imagine uma pessoa iniciada no Candomblé para Oiá, Ọya, em uma determinada qualidade, e que posteriormente passe por uma consulta em Ifá na qual Oxum, Ọ̀ṣun, apareça como uma força importante em seu destino.

A primeira reação costuma ser perguntar:

“Então meu orixá estava errado?”

Mas eu considero necessário analisar a situação com mais profundidade.

Dentro dos conhecimentos religiosos que recebi, Oiá e Oxum apresentam relações importantes em determinadas narrativas e tradições.

Não devemos reduzir essas divindades às histórias populares de rivalidade amorosa.

As relações entre orixás são muito mais complexas do que algumas versões simplificadas deixam transparecer.

Isso não significa que um novo resultado oracular deva automaticamente invalidar toda a história anterior.

É preciso compreender o sistema utilizado, o contexto da consulta e o significado da orientação recebida.

Uma coisa é uma divindade possuir importância dentro do destino de uma pessoa.

Outra é afirmar que toda iniciação anterior deve ser descartada.

A decisão sobre novas práticas ou compromissos exige investigação, conhecimento e diálogo.

O mesmo cuidado vale para qualquer pessoa que receba interpretações diferentes em consultas religiosas distintas.

Antes de aceitar que toda a sua vida espiritual está errada, procure compreender aquilo que efetivamente foi identificado.

Iniciação de crianças: qual é o momento adequado?

Esse é um assunto que exige bastante cuidado.

Durante minha trajetória, conheci crianças iniciadas ainda muito pequenas.

Também acompanhei situações nas quais uma pessoa, iniciada na infância, posteriormente recebeu interpretações espirituais diferentes daquelas atribuídas originalmente.

Isso gera questões importantes sobre responsabilidade sacerdotal e decisões tomadas pelos adultos.

Nas tradições yorùbá, existem procedimentos associados ao nascimento e ao conhecimento da caminhada espiritual da criança.

Um deles é conhecido como Ẹsẹ̀ntáyé, relacionado à apresentação da criança ao mundo e à investigação de aspectos de sua existência, conforme os fundamentos da comunidade que o realiza.

Esse procedimento não deve ser confundido com a iniciação completa em um orixá.

Considero importante que os responsáveis religiosos tenham conhecimento dessas distinções.

Na minha interpretação, a infância representa um período no qual a pessoa ainda desenvolve sua compreensão do mundo, sua autonomia e sua capacidade de fazer escolhas.

Por isso, considero necessário distinguir os cuidados espirituais destinados à criança das decisões que produzem compromissos religiosos duradouros.

Em minha família, inclusive, acompanhei experiências de iniciação ainda na infância.

Meus netos passaram por procedimentos religiosos muito cedo, dentro dos fundamentos seguidos por nossa família.

Também tive contato com situações específicas nas quais houve orientações religiosas relacionadas às necessidades de uma criança.

Essas experiências me ensinaram que não devemos generalizar.

A idade, por si só, não resolve toda a questão.

É necessário considerar a tradição religiosa, a responsabilidade dos adultos, a orientação recebida e as condições da criança.

Nenhuma decisão desse tipo deve ser tomada de maneira precipitada.

Desde quando devemos cuidar do Ori de uma criança?

Dentro da minha compreensão espiritual, o cuidado com Ori pode começar desde o nascimento.

Isso não significa que uma criança precise passar imediatamente por procedimentos complexos.

Existem formas de cuidado relacionadas às rezas, aos pedidos de proteção, ao acolhimento familiar e à transmissão de valores.

A criança precisa crescer em um ambiente no qual sua vida seja respeitada.

Quando uma criança passa por situações difíceis ou traumáticas, devemos lembrar que ela necessita de proteção, acompanhamento e cuidado.

A espiritualidade pode representar um elemento de apoio para famílias religiosas, mas não substitui os cuidados médicos, psicológicos ou de proteção infantil quando necessários.

A responsabilidade dos adultos é fundamental.

Cuidar de uma criança não é apenas pensar em qual orixá será cultuado.

É também compreender suas necessidades e respeitar seu desenvolvimento.

O que significa realmente cuidar de Ori?

Muita gente acredita que cuidar de Ori é apenas realizar um ritual na cabeça.

Entretanto, dentro do entendimento que transmito, esse cuidado precisa ser compreendido de maneira mais ampla.

Não adianta participar de uma cerimônia e continuar sustentando comportamentos que prejudicam a própria vida.

É necessário olhar para as decisões, as relações, os hábitos e os caminhos que estamos construindo.

O culto possui seus fundamentos próprios, mas a pessoa também precisa assumir responsabilidade por suas escolhas.

Quando ensino sobre Ori, procuro mostrar que não estamos falando somente de um elemento ritual.

Estamos falando da própria existência.

E isso nos leva novamente à questão central:

De que adianta acreditar que o orixá está errado quando você sequer procura compreender a própria cabeça?

A complexidade dos cultos de Omolu, Nanã, Ewá, Logunedé e Oxumarê

Alguns cultos possuem particularidades que exigem aprofundamento e experiência.

Entre aqueles que considero especialmente exigentes em determinados aspectos rituais, estão Omolu, Nanã, Ewá, Logunedé e Oxumarê.

Nanã também aparece em contextos brasileiros como Nanã Buruku, nome relacionado a tradições religiosas da África Ocidental.

Ewá, Logunedé e Oxumarê possuem diferentes formas de representação e de culto, conforme a tradição e a linhagem religiosa.

Não se trata de afirmar que essas divindades são superiores ou que todas as outras possuem rituais simples.

O que quero destacar é a existência de fundamentos específicos e de procedimentos que precisam ser respeitados.

Muitas pessoas conhecem apenas os aspectos mais populares de determinado orixá.

Reconhecem suas cores, seus símbolos e algumas cantigas.

Mas desconhecem os motivos pelos quais determinadas práticas são realizadas.

E a mesma crítica vale para outros cultos.

Uma pessoa pode afirmar que foi iniciada em Exu e, ainda assim, desconhecer procedimentos considerados fundamentais dentro da tradição que segue.

Isso demonstra a importância da formação sacerdotal.

O aprendizado não termina quando alguém recebe um título ou conclui uma etapa de iniciação.

Ele precisa continuar.

Quem errou na iniciação deve assumir a responsabilidade?

Voltamos agora ao problema que motivou toda esta reflexão.

Uma pessoa passou por uma iniciação, cumpriu suas obrigações e, posteriormente, alguém afirmou que tudo foi realizado de maneira incorreta.

Quem deve responder por isso?

Em primeiro lugar, é preciso distinguir situações diferentes.

Existe diferença entre uma divergência de interpretação, uma variação legítima entre tradições, um procedimento conduzido de maneira inadequada e uma situação na qual houve manipulação ou má-fé.

Essas coisas não podem ser colocadas no mesmo nível.

Nem toda diferença religiosa representa um erro.

Nem toda consulta que apresenta outra orientação significa que a iniciação anterior foi inválida.

Mas também não devemos fingir que práticas irresponsáveis não existem.

Quando um sacerdote assume a responsabilidade por uma iniciação, deve compreender que está lidando com a confiança de outra pessoa.

Essa confiança envolve recursos financeiros, compromissos familiares, decisões pessoais e uma relação profunda com a espiritualidade.

Não se trata de um simples serviço comercial.

Se houve falha, é necessário reconhecer o problema e buscar esclarecimento.

Se houve abuso, pressão financeira ou promessa enganosa, a situação precisa ser analisada com a seriedade correspondente, inclusive quanto às responsabilidades legais que possam existir.

Não é aceitável utilizar o medo religioso para obrigar alguém a pagar continuamente por novos rituais.

Também não considero correto que outro sacerdote destrua, sem investigação responsável, toda a confiança espiritual que alguém construiu ao longo dos anos.

É muito fácil dizer:

“Fizeram tudo errado.”

Difícil é demonstrar conhecimento, explicar o problema e orientar uma solução sem explorar a insegurança da pessoa.

Como escolher um sacerdote antes de uma iniciação

Antes de assumir um compromisso religioso, procure conhecer verdadeiramente o espaço e as pessoas responsáveis.

Converse sobre a tradição praticada, os fundamentos, a formação do sacerdote e as responsabilidades envolvidas.

Pergunte como será realizada a investigação espiritual.

Procure entender quais compromissos serão assumidos depois da iniciação.

Observe se existe disposição para ensinar e esclarecer.

Desconfie de ameaças, cobranças sem explicação e afirmações de que sua vida será destruída caso você não aceite imediatamente uma determinada proposta.

O sacerdote não deveria depender do medo para demonstrar autoridade.

Também considero importante observar sua relação com os mais velhos e com os próprios iniciados.

Uma casa religiosa precisa possuir organização, responsabilidade e condições para transmitir aquilo que pratica.

Não procure apenas alguém que faça um ritual bonito.

Procure alguém que compreenda aquilo que está fazendo.

A espiritualidade não elimina a responsabilidade humana

Precisamos abandonar a ideia de que tudo aquilo que acontece em nossa vida é exclusivamente resultado de uma ação espiritual.

Nem toda dificuldade financeira significa que o orixá está descontente.

Nem todo relacionamento que termina significa que existe uma cobrança religiosa.

Nem toda crise pessoal demonstra que uma iniciação foi realizada incorretamente.

A vida apresenta desafios, conflitos e situações que exigem atitudes concretas.

Durante minha caminhada, aprendi que a espiritualidade também nos convida a reconhecer nossa participação naquilo que vivemos.

Existem escolhas que precisam ser revistas.

Existem limites que precisam ser estabelecidos.

Existem compromissos que precisam ser assumidos.

E há momentos em que precisamos ter coragem de admitir que estávamos seguindo um caminho que já não fazia sentido.

A religião deve contribuir para a consciência, e não ser utilizada para retirar de nós toda a responsabilidade sobre a própria existência.

Afinal, fizeram seu santo errado?

Depois de tantas experiências, estudos e anos de prática sacerdotal, minha orientação é que você não aceite conclusões precipitadas.

Se alguém disser que seu santo foi feito errado, procure entender exatamente o que isso significa.

O problema está na identificação do orixá?

Na realização de determinado procedimento?

Na interpretação de um oráculo?

Na diferença entre duas tradições religiosas?

Ou existe alguém tentando convencer você de que precisa pagar novamente por uma iniciação?

Essas perguntas são fundamentais.

Orixá não deve ser tratado como uma mercadoria que pode ser trocada quando alguém apresenta uma opinião diferente.

O culto exige respeito, conhecimento e responsabilidade.

Da mesma forma, o sacerdote não está acima de qualquer questionamento.

Ele pode ensinar, orientar e conduzir rituais, mas também precisa continuar aprendendo.

Eu mesmo, depois de tantos anos, continuo reconhecendo a importância do conhecimento e da experiência.

Conhecer uma tradição exige mais do que repetir aquilo que aprendemos sem jamais perguntar por quê.

O verdadeiro fundamento não deve ter medo do conhecimento.

Considerações finais: antes de culpar o orixá, compreenda seu caminho

Existe uma diferença enorme entre cultivar a espiritualidade e viver prisioneiro do medo religioso.

Você não precisa aceitar automaticamente que tudo aquilo que construiu está errado porque alguém apresentou uma interpretação diferente.

Também não deve ignorar problemas reais quando existem razões consistentes para investigá-los.

O caminho está no conhecimento.

Conheça a tradição que você pratica.

Procure compreender seu Ori.

Respeite seu orixá.

Valorize os ensinamentos dos mais velhos, mas não abandone a responsabilidade de estudar e aprender.

Lembre-se de que iniciação não é apenas uma cerimônia, uma raspagem ou um título religioso.

Iniciação é mudança de vida, mudança de consciência e compromisso com um caminho.

E antes de perguntar quem vai pagar pelo seu santo supostamente errado, talvez seja necessário compreender quem conduziu sua iniciação, o que foi realizado e quais fundamentos realmente orientaram aquela decisão.

O orixá não deve ser responsabilizado pela falta de conhecimento humano.

E a fé de ninguém deveria ser transformada em instrumento de manipulação.

Essa é a reflexão que deixo para todos aqueles que procuram seguir o culto aos orixás com seriedade, respeito e consciência.

Que Olódùmarè nos conceda sabedoria para reconhecer nossos caminhos, coragem para corrigir nossos erros e discernimento para não confundir fé com submissão.

Àṣẹ!


Perguntas frequentes sobre iniciação em orixá

O que fazer quando dizem que meu santo foi feito errado?

É necessário compreender qual fundamento está sendo questionado, como a iniciação foi realizada e qual sistema oracular apresentou uma interpretação diferente. Nem toda divergência significa que a iniciação anterior foi inválida.

É possível ter sido iniciado para o orixá errado?

Podem existir falhas de interpretação ou procedimentos inadequados, mas isso não significa que toda divergência religiosa represente um erro de iniciação. A situação precisa ser analisada individualmente.

Bolar no santo significa que preciso raspar a cabeça?

Não necessariamente. A experiência deve ser avaliada de acordo com os fundamentos da tradição religiosa, sem pressão ou ameaças.

Ori ou orixá: quem governa a cabeça?

Na compreensão ensinada por Mestre Marcelo Alban, Ori é fundamental para a individualidade e o destino, enquanto o orixá auxilia no alinhamento e fortalecimento espiritual.

Posso cultuar orixá sem ser iniciado?

Sim. Existem diferentes formas de devoção e culto que não exigem imediatamente uma iniciação completa, conforme a tradição seguida.

Uma pessoa pode ser iniciada em vários orixás?

Em determinadas tradições yorùbá, existem diferentes modalidades de iniciação e aprofundamento religioso. Entretanto, isso não significa que todas as pessoas devam assumir compromissos com diversos cultos.

Qual é a importância de consultar Ifá antes de uma iniciação?

A consulta a Ifá, dentro das tradições que seguem esse sistema, pode orientar questões relacionadas ao destino, às responsabilidades espirituais e aos procedimentos religiosos considerados adequados para uma pessoa.


Sobre Mestre Marcelo Alban

Mestre Marcelo Alban é sacerdote, Babalawô, escritor e estudioso das tradições religiosas de matriz africana, com mais de 30 anos de experiência no universo espiritual.

Sua trajetória inclui vivências no Candomblé, no culto tradicional yorùbá, em Ifá, na Jurema e kimbanda, Mestre em Alta Magia em outras manifestações religiosas.

Por meio do projeto Raízes do Culto, dedica-se à transmissão do conhecimento, à reflexão sobre práticas sacerdotais e ao esclarecimento de questões relacionadas aos orixás, à ancestralidade e à espiritualidade.

Conheça mais conteúdos sobre Ifá, orixás, Ori, Exu, Candomblé e culto tradicional yorùbá no Raízes do Culto.

Ile Ase Omoguian

Endereço: R. Vítor Hugo, 93 – Jardim Progresso, Franco da Rocha – SP, 07860-140

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Núcleo Anjos bellus

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Telefone: 11 97268-7929 click aqui whatsApp

Este artigo apresenta a visão, a experiência e os ensinamentos sacerdotais de Mestre Marcelo Alban. As práticas religiosas podem variar entre tradições, comunidades e linhagens.

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